Joseni Melo Advogados Associados

Recife, Pernambuco, Brasil

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UMA VIDA DEDICADA Á CULTURA - Gastão de Holanda

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Gastão de Holanda: uma vida dedicada à cultura

Diz-me com quem andas e eu te direi quem és, repetem os pais, aconselhando os filhos a cultivar as boas companhias. Você, certamente, se tem filhos, já lhes disse isso. O que, quando criança, certamente ouviu.

Gastão de Holanda viveu em ótimas companhias, e os que com ele conviveram poderiam dizer o mesmo.

Gastão de Holanda foi advogado, jornalista, professor, poeta, contista, editor, designer gráfico e fundador, em 1954, juntamente com um grupo de amigos, da famosa editora O Gráfico Amador, dedicada a publicações artesanais  para um público então reduzido. Eram seus sócios Aloísio Magalhães, José Laurênio de Melo, Orlando da Costa Ferreira e Ariano Suassuna -- personalidades com quem mantinha sólida amizade desde o Teatro do Estudante de Pernambuco, tempo em que estudava na Faculdade de Direito do Recife, onde viria a se formar, em 1951.

O Gráfico Amador reunia amantes da arte do livro, e se voltava para editar, com diligente apuro visual, textos literários, especialmente poesias, em tiragens artesanais que se contivessem nas limitações naturais de uma gráfica operada por amadores.  Era, registre-se em nome da exatidão, uma oficina experimental de artes gráficas, nascida com uma velha prensa manual e uma precária fonte de tipos. Mesmo assim, arrostando tal limitação de recursos, fazia, graças ao talento de Gastão de Holanda e seus companheiros, um trabalho de reconhecida qualidade. Tanta, aliás, que seu conceito ultrapassou as fronteiras do Brasil, e teve o estímulo da Le Corbusier Graphique, de Paris, e da Curwen Press, de Londres.

O Gráfico Amador exerceu forte influência em diversos movimentos nacionais com suas publicações, ilustrações e textos.

Foram quase trinta livros publicados, além de muitos cartazes, convites e folhetos. Os trabalhos ali produzidos foram objetos de exposição em São Paulo, na galeria da Associação de Designers Gráficos, e considerados verdadeiras obras de arte. Suas edições, de fato, revelavam uma acentuada preocupação artística quanto à escolha dos tipos, o aproveitamento dos espaços em branco, a composição e a apresentação. Já antes suas publicações haviam sido apresentadas em uma exposição realizada pela Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro.

Leve-se em conta, porém, que mais do que apenas uma editora, berço do design ou apenas um fator, O Gráfico Amador foi um fautor da afirmação da literatura pernambucana, já que em suas oficinas foram apuradamente  impressos e editados livros de Carlos Pena Filho, Mauro Mota, João Cabral de Melo Neto, Hermilo Borba Filho e Francisco Brennand, para citar alguns. A bem da fidelidade da informação, entretanto, reconheça-se que a editora O Gráfico Amador operou sob o signo do empirismo, configurando-se mais como uma ação entre amigos, norteada pela informalidade, sem observância de cronogramas, sem contratos, sem planejamento operacional, já que seus dirigentes, todos, possuíam outras fontes de recursos para a própria manutenção.

É claro que, dessa forma, o empreendimento não poderia prosperar, resultando no fim da sociedade, o que aconteceu em 1961, sem traumas, em paz, e com Gastão de Holanda e seus sócios se mantendo presentes — e, sobretudo, atuantes, na ebulição cultural do Recife nos anos 1960.

Os quatro fundadores, e mais João Alexandre Barbosa, Sebastião Uchoa Leite, Luiz Costa Lima, Gadiel Perruci e Marcius Frederico Cortez, naquele momento já integrantes da O Gráfico Amador, passaram a escrever no caderno cultural do Jornal do Comércio, especialmente quando passou a ser dirigido por Orlando da Costa Ferreira, surgindo uma extensão informal da fanada editora.

Ficou a convicção, porém, de que O Gráfico Amador, mesmo tão amadoristicamente, contribuiu de maneira marcante para a literatura, especialmente a pernambucana.

Enquanto esteve em atividade, O Gráfico editou As Conversações Noturnas: Poemas, José Laurênio de Melo, 1954; Ode, Ariano Suassuna, 1955; Macaco Branco: Fortuna e Pena Deste Personagem no Reino do Futebol, Gastão de Holanda; O Gráfico Amador – Noticiário n.1 com linoleogravura de Aloísio Magalhães, 1955; Memórias do Boi Serapião, Carlos Pena Filho, 1955; Pregão Turístico do Recife, João Cabral de Melo Neto, 1955; Mãe da Lua, José de Moraes Pinho – Peça para bonecas com música de Capiba, 1956; A Tecelã, Mauro Mota, 1956; Ciclo, Carlos Drummond de Andrade, 1957; Rumeur & Vision 1, 12 poemas de Baudelaire, Mallarmé, Verlaine, Rimbaud, 1957; Vários Poemas Vários, João Cabral de Melo Neto, um exemplar original, inédito, 1957; Cadernos de Arte do Nordeste: Capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira, 1957; Improvisação Gráfica (experiências tipográficas), Aloísio Magalhães, 1958; Mundo Guardado, Luiz Delgado, 1958; História de um Tatuetê, Hermilo Borba Filho, 1958; Aniki Bobó, João Cabral de Melo Neto, 1958; Cadernos de Arte do Nordeste: Azulejos Holandeses no Convento de Santo Antônio do Recife, 1959; Dez Sonetos sem Matéria, Sebastião Uchoa Leite, 1960; Gesta e Outros Poemas, Jorge Wanderley, 1960; A Rosa Jacente, Geraldo Valença, 1960; Recife-Olinda, Eugênia Miller Brajnikov, álbum com dez litografias, 1960; Romance de Dom Beltrão, Lélia Coêlho Frota, composto, impresso e ilustrado a mão, 1960; O Burro de Ouro, Gastão de Holanda, 1960; Dois Poemas Incidentes, Orlando da Costa Ferreira, 1961: Heredianos: Sonetos Traduzidos, Severino Montenegro, 1961; O Gráfico Amador nº 2, 1961; Arte Pernambucana 1: Francisco Brennand, texto de Flávio Mota, e dez reproduções de telas e paineis de cerâmica, 1961; Elegias, Ovídio, tradução, projeto e ilustrações de Gastão de Holanda, 1961.

Por falar em Gastão de Holanda, ele, intelectual versátil, percorreu vários tipos de literatura, publicando, além de alguns dos livros acima, o romance Os escorpiões; o livro de contos Zona do silêncio; e o de poesias O atlas do quarto. Com Os escorpiões, diga-se, ele ganhou, em 1954, o cobiçado Prêmio IV Centenário de São Paulo.

Hoje em dia o design pernambucano está espalhado pelo mundo, através de trabalhos produzidos pelos conterrâneos de Gastão de Holanda, como é o caso de Joana Lyra ou de Aloísio Magalhães, este o autor de logomarcas tão famosas, como as do Banco do Brasil, da Light, da Petrobrás, do Banco Central do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Companhia Souza Cruz, e até de uma das moedas brasileiras, o cruzeiro novo.

Foi assim que, um dia, quando nem existia para nós a palavra design, um cidadão de nome Gastão de Holanda, lado a lado com Aloísio Magalhães, uma das suas boas companhias, deu os primeiros passos de uma especialidade profissional que viria a florescer e consolidar-se. E não se pense que o fez como mero coadjuvante. Foi, isto sim, um dos mais destacados protagonistas.

Diz-me com quem andas e te direi quem és, diz o provérbio. Então, pensando bem, guardar  Gastão de Holanda na memória é estar em boa companhia. Ótima companhia, aliás.

Gastão de Holanda, falecido no Rio de Janeiro no dia 11 de junho de1997, nasceu no Recife, no dia 11 de fevereiro de 1919.

Gastão de Holanda, vírgula. Gastão de Pernambuco.

 

Fonte: Lúcia Gaspar, Fundação Joaquim Nabuco

 

Última atualização em Qua, 25 de Abril de 2012 16:10  

Comentários  

 
0 #2 Thomasvem 26-04-2018 10:41
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